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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dead Fred [Creepypasta]


Dead Fred
Já era tarde da noite e eu estava fora, retornando para casa depois de uma festa para esquecer algumas mágoas. Meu caminho para casa me levou ao local do cemitério e eu resolvi entrar para visitar o túmulo de um grande amigo recentemente falecido. Era um pouco assustador andar por aquelas rochas e árvores escuras em meio a um mar de tumbas, mas eu fiz questão de visitá-lo, meu respeito e amor por ele ultrapassavam o medo. Enquanto vivo, nutríamos um amor secreto e platônico. Talvez a sociedade não aceitasse...

Se pelo menos eu não estivesse... se pelo menos eu continuasse dirigindo, chegado em casa e me enterrado nos cobertores. Mas eu não o fiz. Eu estava um pouco bêbado da festa, e cambaleando pelo cemitério tarde da noite, achando que era uma boa idéia.

Eventualmente, encontrei o caminho para o túmulo dele, lutando contra a escuridão. Após finalmente encontrar aquelas rochas que indicavam o local onde meu amigo estava, fiquei surpreso em encontrar um objeto no chão. Era um disco entre as flores.

O disco não foi feito por um profissional. Era do tipo que você poderia comprar centenas, ou queimá-los em uma pilha. Estava na grama, em uma capa quadrada, nada escrito no plástico. As únicas palavras visíveis no CD, etavam escritas com giz de cera branco, com dificuldade, iluminei usando meu celular e li duas palavras escritas sem cerimônia:

"Dead Fred".

Mas o que realmente me deixava perplexo foi a caligrafia: claramente era do meu amigo. Ele costumava ter sua própria locadora de vídeos, com centenas de velhos VHS que não podiam ser encontrados em lugar nenhum. Ele havia escrito a mão, os respectivos títulos de cada filme e este parecia corresponder. Depois de seu recente suicídio, suas anotações foram encontradas, cobertas em rabiscos, uma escrita bagunçada. Bem como seu bilhete suicida...

Intrigado, eu imaginava quem poderia ter deixado aquilo ali. Eu não havia visto ninguém em seu funeral.

Lágrimas começaram a queimar meus olhos. Eu sentia tanta saudades do meu amigo, de seu toque, seu abraço. Ver um objeto, que significava tanto para ele, estar jogado em um cemitério como aquele realmente partia meu coração. Mas porque ele não me contou tudo aquilo? Nós contávamos tudo um para o outro. Ele não tinha o direito de esconder algo assim, levando para a cova!

Como ele ousou me deixar?

Eu estava extasiado e enraivecido pela bebida. Enxuguei as lágrimas dos meus olhos e saí correndo do cemitério, com o disco na mão.

Mais tarde, ao chegar em casa, eu já estava colocando o CD no computador, foi aí que eu percebi o que eu havia feito. Eu robei algo da tumba do meu amigo mais próximo. "Não há nada nisso - pensei - o errado é ele guardar segredos de mim".

Amargamente, fui ejetar o disco antes que aparecesse "O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER? ABRIR O DISCO COM ITUNES, VER ARQUIVOS, ETC". Um menu apareceu na tela então um vídeo abriu, inexperadamente.

Foi uma surpresa para mim por duas razões: primeiro, eu percebi que o CD não possuía audio, imagens, ou arquivos de texto. Eu nem pensei que pudesse ser um vídeo. Segundo, o computador não me perguntou se eu queria que o vídeo fosse aberto, ele simplesmente começou.

Era um episódio de "Coragem o Cão Covarde", o show favorito do meu amigo. Lágrimas rolaram do meu rosto, dessa vez, de nostalgia...

De fato, eu nunca havia assistido muito do desenho, achava-o perturbador. Acho que assisti uma ou duas temporadas com ele. Então, quando o título "Dead Fred", apareceu na tela, eu não sabia que havia algo de errado. Eu já tinha visto o episódio original "Freakly Fred" com meu amigo, uma vez. Pensei ser somente mais um episódio estrelado pelo "barbeiro poético".

Aborrecido comigo mesmo por ter pêgo o disco do meu amigo, eu tentei fechar o vídeo, mas meu cursor estava congelado. O teclado não respondia. Relutante, aumentei o volume da caixa de som e comecei a assistir o vídeo.

Começou da mesma forma que "Freakly Fred", com o Fred no ônibus e Muriel arrumando aquela colcha amarela sobre a cama. Fred não estava recitando seus poemas. Aparentemente não havia audio com o vídeo.

Pensei que aquilo era somente o episódio original, com algumas poucas edições, até que eu vi Coragem. O pequeno cachorro estava olhando pela janela, encarando Fred, cujos olhos eram uma mistura de malícia e medo.

Coragem abriu a janela e olhou com raiva para a paisagem... então ele começou a ter flashbacks. Toda aquela porcaria que ele tinha no decorrer dos episódios, todo o terror, todos os abusos. Tudo estava vindo.

Coragem estava chorando muito, então ele desceu as escadas rumo ao porão. Ele começou a remexer um baú, jogando fora vários objetos (uma máscara feia, uma cabeça encolhida, e outros objetos perturbadores), até que ele pega uma shotgun de cano duplo, as lágrimas ainda caindo de seus olhos.

Levando o pesado objeto para cima, ele olhou pela fechadura e apontou a arma, sua minúscula pata no enorme gatilho. Nesse momento, começaria a música de aventura, típica do cartoon; no entanto, o vídeo ainda não possuía som.

Muriel correu excitadamente para a sala (acho que a campainha tocou, mas eu não poderia ouvir nada) e abriu a porta para receber seu sobrinho.

Ali estava Fred, com seu grande cabelo bagunçado e seu olhar assustador como sempre. Ele abriu a boca para falar algo, olhou para baixo e viu coragem em pé ali, apontando a shotgun para seu peito. Um olhar de horror desceu sobre Fred, antes que o tiro soasse pela casa.

Pela casa eu quero dizer MINHA CASA. O tiro foi a única coisa audível e eu "shat a brick".

Eu apenas esperava que um "bang" saísse da arma, mas não. Fred foi empurrado violentamente para trás, com um sangue vermelho escorrendo de seu peito, manchando tudo na casa. Fred foi ao chão, morto. Muriel começou a soluçar. Coragem parecia horrorizado com o que tinha feito. Correu para o andar de cima, se trancou no banheiro.

Nesse momento eu estava um pouco chocado. Era tudo muito perturbador, mesmo para "Coragem". Pelos próximos minutos, Coragem estava sentado no chão, soluçando, com um pouco de sangue em seu corpo. Então as palavras começaram a sair da minha caixa de som:

"Olá, meu amigo"

Coragem procurou de onde vinha a voz, mas não viu nada.

"Meu nome é Fred"

Coragem levantou-se e andou de um lado para o outro. Foi à janela tentando ver de onde vinha a voz. Ele viu, lá embaixo, Muriel e Eustácio levando o corpo de Fred para o caminhão. Muriel ainda chorava.

"As palavras que você ouve estão na sua cabeça"

Coragem saiu de perto da janela, olhou a arma ao seu lado. Os flashbacks voltaram, todos os nomes falados, todas as vezes que ele arriscou sua vida sem receber nenhuma recompensa, todas as coisas horríveis que ele viu, todas as coisas horríveis que Eustácio disse a ele.

"Eu disse, meu nome é Fred"

Coragem pegou a arma e começou a bater no vidro, para que Eustácio ouvisse.

"E você esteve bem..."

Coragem puxou o gatilho. Em uma fração de segundo, a cabeça de Eustácio expludiu em uma bagunça nojenta. Ele caiu sobre o corpo de Fred.

"Safaaadooooooo......"

Muriel gritou mudamente. Não houve barulho de tiro desta vez. O audio continuava desligado, a não ser pelo assustador poema recitado por Fred.

Assim que Coragem apontou a arma para si mesmo, eu puxei a tomada do computador da parede. Eu estava abismado, andando pelo quarto, perturbado. No bilhete suicida do meu amigo, havia apenas escrito "Safado" dúzias de vezes.

"Olá, novo amigo"

Eu pulei. Eu deveria ter deixado a caixa de som ligada, desliguei apenas o computador. De qualquer forma, o vídeo deveria estar desligado, nada fazia sentido.

Eu desliguei os alto-falantes, e mesmo assim ouvi:

"Meu nome é Fred"

Eu já havia desligado tudo, mesmo assim continuava ouvindo o poema.

"As palavras que você ouve, estão na sua cabeça"

Elas estavam na minha cabeça. Elas estavam na minha cabeça desde que comecei a assistir o vídeo. Eu continuava ouvindo o poema. Em uma bizarra onda sonora onde vários Freds repetiam as frases. Elas ecoavam em minha mente.

Eu não posso aguentar mais. Eu vou ficar louco, eu vou ficar louco, eu vou ficar louco... lágrimas caindo dos meus olhos.

É muito para mim, eu tenho que ir agora, eu sinto falta do meu amigo, eu me sinto só.

A voz voltou. Dessa vez não é mais Fred falando. Era meu amigo. Meu amado...

"Adeus meu amor, de agora em diante eu estarei morto.
Estou colocando uma arma na minha cabeça.
Estou alegre que você está ouvindo tudo que tenho a dizer.
Mesmo de longe continuarei te amando.
Mas agora eu tenho que fazer algo....
Safado!"

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