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terça-feira, 27 de setembro de 2011

ANTRAN

Foi um verão quente em meados dos anos 70, eu estava dirigindo para casa, quando eu tive que fazer uma parada no lixão local para deixar algumas mesas antigas da minha mãe. Quando estava tirando as mesas do porta-malas, algo chamou minha atenção e, após uma ter olhado direito fiquei chocado ao ver, o que eu pensava inicialmente ser uma boneca. Um corpo de pele de plástico com membros de metal. E mais chocante ainda é que era um humanóide, com olhos frios e escuros. Vou ser honesto para dizer que eu estava curioso no momento e incrivelmente impressionado com a obra, então eu não pensei duas vezes antes de colocá-lo com cuidado no banco de trás do meu carro e levar para casa.

O interesse dos meus filhos foi quase tão intenso quanto o meu, e nós ficamos, abrindo e olhando para ele e seus circuitos para nos certificar que nada estava quebrado ou faltando. Eventualmente, para nossa surpresa, o ser ou andróide parecia "funcionar". Os olhos exibido um tom um pouco sensíveis se abriram, os membros se mexeram e após alguns momentos ele conseguiu ficar em pé. Seria precipitado demais dizer que estávamos com medo, mesmo que ainda fascinados? Quem poderia ter criado uma peça tão maravilhosa e notável e depois ter jogado no lixão?

Passaram poucas semanas até que percebi, que aquilo não era um brinquedo ou uma boneca. Ele mostrou sinais de inteligência e incrível habilidade de "pensar". Ele aprendeu a fazer coisas cotidianas, como levar o lixo para fora, brincar com brinquedos dos meus filhos... Ele até tinha um favorito, um carro vermelho pequeno que ele dirigia nos balcões da cozinha. Ele aprendeu a imitar os nossos costumes, tentando comer com garfo, apesar de nenhum sistema digestivo, movendo a boca apesar da falta da capacidade de falar. Eu sabia que aquilo era outra coisa. Talvez um Hardware Militar ou um projeto privado. Eu sabia que ter entregado ele, mas quando eu vi meu menino brincar com ele tão feliz, meu esbocei um sorriso. Eu não poderia fazer isso... Ele sempre foi tão solitário, este era um de seus únicos amigos, que tipo de pai eu seria negar o direito de felicidade dele? Ele não poderia machucar meu filho e isso me levou a permitir mantê-lo por um tempo.

Chamamos "Antran", que era a impressão em letras maiúsculas escrito em suas costas. Alguns meses se passaram rapidamente, e a vida familiar parecia melhorar. Ele foi um de nós. Ele ficou mais inteligente, seu humor melhorou, tudo foi ficando melhor. Até uma noite em julho. Eu estava sentado na minha poltrona, com uma cerveja assistindo televisão. Meu menino e ANTRAM, se ajoelharam no tapete, para brincar de luta um com o outro. Quando de repente minha atenção foi atraída para um suspiro alto. Olhei para baixo e vi meu filho apertando seu braço.

"O que há errado, Adam?" Eu perguntei.

Ele arregaçou as mangas, e em seu braço foi uma grande marca vermelha que cobre seu antebraço "Antran me beliscou", respondeu ele, em voz chorosa.

A marca era de fato vermelha, parecia uma contusão e tinha uma parte rocha também. Meus instintos paternais tomaram conta de mim e como um pai falei "Fique longe de seu irmão, sua criança travessa!", eu gritei para o Andróide. Sua face metálica fria, por um momento, parecia mostrar genuína tristeza e arrependimento, como se ele não sabe controlar a própria força, e seus lábios se moviam, se ele estava tentando falar a palavra para "Desculpa" ou simplesmente copiar o que eu estava dizendo, nunca saberemos. Mais tarde, à noite, pedi desculpas a Antran, disse que tudo estava bem e não pensei em mais nada.

Algumas semanas mais tarde, meu filho entrou no meu quarto, deve ter sido de manhã cedo... Eu acordei pelo foi ranger suave da porta do meu quarto.

"Pai", ele sussurrou.

"Sim meu filho?", Respondi.

"Ele fica me olhando"

"O quê? Quem? "Perguntei, através dos olhos cansados.

"Antran, ele continua olhando para mim, na cabeceira da minha cama"

Sua voz tremia, com medo. Algo não estava certo. Eu observei ele apertando o braço novamente, e logo o chamei. Pedi para puxar a manga da blusa. O que eu vi fez eu sentir uma dor no meu coração... Haviam contusões. Deve ter sido quatro, cinco que iam subindo até seus ombros.

"Tire a camisa Adam", eu disse, tentando manter a calma, eu podia sentir um coquetel de emoções dentro de mim: pânico, medo, raiva... Ele tirou a camisa, meu coração ficou ainda mais partido e meus olhos se encheram de lágrimas. Havia um pequeno quadro de hematomas, todos de tamanhos diferentes, diferentes tons de marrom, amarelo e roxo. Eu imediatamente levantei e invadi o quarto de Adam.

Nada.

Eu gritei chamando Antran, olhei debaixo da cama, para fora da janela do quarto. Nada. De repente comecei a ouvir passos fortes sobre nós, eram passos rígido.

"É no sótão", Adam sussurrou. Eu olhava para cima.

Eu andava pelo corredor e notei que as paredes de cada lado foram revestidos em arranhões por todo o caminho até o pedaço de corda balançando que nós usávamos para puxar a escada do sótão. Eu lentamente puxei a escada, dizendo ao meu filho para ficar onde ele estava... Eu subi. Lentamente entrei no sótão só para encontrar a pequena janela que temos lá quebrada, ele havia fugido. Eu imediatamente pensei em chamar os serviços de emergência, mas quem iria acreditar em mim? O que iriam achar se eu dissesse que um ser metálico com vida própria machucou o meu filho? Eles vão olhar para as contusões e teriam certeza que iriam me prender por abuso. Eu não tinha escolha a não ser manter a calma.

Semanas e depois meses passados... Toda vez que saímos percebia cada vez mais sinais da presença de Antran: o muro que ficava atrás de nossa casa tinha marcas de punhos, Plantas tinham sido destruídas, lama era arremessada na janela. Temi pelo meu filho. Comecei a levá-lo para a escola, nunca deixá-lo fora da minha vista. O que provocou essa súbita hostilidade em relação a nós? Fizemos algo de errado? Foi o meu grito? Eu comecei a me desculpar em voz alta, na esperança de Antran estar me ouvindo e que ele pararia com a perseguição, os insultos... Mas fiz tudo isso em vão. Eu definitivamente estava falando para ninguém. Até hoje me arrependo de ter trazido ele para a minha casa... Se eu soubesse que isso iria acontecer, eu não teria dormido naquela noite.

Meu sono foi mais uma vez perturbado, embora desta vez por um grito de gelar o sangue. Meus olhos se abriram e imediatamente, quase por um instinto natural eu corri para o quarto de Adam. Foi tarde, o quarto tinha sido virado de cabeça para baixo, tudo estava no chão, os lençóis rasgados e a janela foi quebrada. Comecei a chorar, gritando para trazer meu filho de volta. Liguei para a polícia, dizendo que meu filho tinha sido sequestrado, eles perguntaram se eu tinha visto o suspeito, eu menti e disse que eu não tinha, esperando que as imagens de meu filho seriam o suficiente. Nos próximos dias chorei até dormir, soluçando como uma criança. A vida não valia a pena e simplesmente não fazia mais sentido, eu ainda desejo que nunca tivesse encontrado aquela... COISA... Eu traí a confiança de meus filhos como pai, eu devia protegê-los e agora eu tenho que pagar o preço.

Foi uma madrugada de setembro, sentei em minha poltrona, bebendo. Quando ouvi a porta da despensa abrir.

"Adam?" Eu murmurei... Correndo para a cozinha.

Mais uma vez, nada. Exceto, lá no balcão da cozinha Antrans brincando com seu carro de brinquedo favorito de cor vermelha.

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Relatório da polícia de Newport - 20 de Setembro de 1970

Após ter ficado semanas trancafiado em casa, saindo em raras ocasiões, vizinhos relatam ter ouvido um disparo vindo da casa de Richard Parker. Nossas viaturas chegaram e encontraram o corpo dele e mais uma nota em suas mãos escrito em caneta vermelha. A arma havia sido arremessada ao chão e havia um buraco no peito, assim foi levantada a hipótese de suicídio, embora nós tenhamos encontrado a porta de seu quarto arrombada. Assim podemos dizer que Richard havia se trancado no quarto antes de alguma coisa abrir a força a porta.

Achamos também uma foto, aparecem Adam e Claus Parker, filhos de Richard e mais uma espécie de "boneca".



Estranhamente, parece que seu cadáver foi "forçado" a sorrir por algo ou alguém. Foi aberto um caso intitulado de "Caso ANTRAN" para descobrir quem é o assassino.

A última vez que Richard foi visto, parecia paranoico e extremamente violento. Claus, o filho mais velho está desaparecido e começamos varreduras pela região para tentar achá-lo.

Uma última "evidência" se é que podemos chamar assim é um papel amassado encontrado perto do corpo que tinha algumas letras que realmente são ilegíveis. Só algumas podem ser entendidas, não tenho tempo para decifrar, por isso só vou transcrever as que entendi. Foi feita com lápis de cor:

?? A?? V??E P???I

O caso foi abandonado após 10 anos de investigação. ANTRAN simplesmente sumiu ou talvez... Esteja em um lixão esperando que alguém note sua existência... Alguém que irá dar amor a ele...

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1 comentários:

Luca disse...

muita coisa não foi explicada nessa história.

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