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quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Despertar

Esta creepypasta achei na Creepypasta Brasil, um site que traduz creepys gringas, dentre elas, esta aqui que acredito ser a melhor creepypasta que já li.

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Acordei.

É claro aqui. Extremamente claro. Que lugar é esse? Uma prisão? Um hospital? Há quatro paredes sólidas, um colchão duro, e uma pequena fenda. Onde está a porta? Eu não vejo uma porta. Onde Diabos eu estou? Como eu cheguei aqui?

Pense... o que aconteceu? Lembre do que aconteceu... Onde eu estava na noite passada? Onde eu adormeci? Merda... Não consigo pensar. Não consigo pensar em nada. Isso aqui é algum tipo de experimento? Não consigo pensar. Eu não consigo pensar nem na merda do meu nome! Quem sou eu?

ESPERE! Olhe a sua volta, idiota. Paredes sólidas. Quarto trancado. Eu estou em um hospício. É isso. Eu estou louco! Eu estava louco, pelo menos. Aparentemente estou bem agora. Estou curado? Posso sair daqui?

Me levanto. Dou uma olhada em mim. Estou nu. Estou bem limpo, pelo menos, assim como o resto do quarto. Tudo em minha volta é branco e imaculado. É tão claro aqui.

"Olá? Tem alguém aí? Preciso de ajuda!" Grito. Não há nenhuma resposta.

"Alguém! Por favor!"

Começo a andar em volta sentindo as paredes. Onde está a porta? Tem que haver uma porta aqui. Mas que porra é essa? TEM que ter uma porta!

Não há nada. Paredes lisas sem remendas ou rachaduras. Eu olho embaixo do colchão para ver se há algo a mais no quarto. Não fico surpreso em ver que não há nada em baixo dele.

Estou em um hospício? Isso parece tão irreal. Onde diabos estou? Por que eu não consigo lembrar nem a porra do meu nome???

"Eí, você finalmente acordou, não é?" Eu ouço a voz de um homem velho vindo da fenda. Eu corro até ela, extremamente animado.

"SIM! O que está acontecendo? Quem é você? O que é isso tudo!?" Eu grito entusiasmado. Eu olho pela fenda para ver nada além de escuridão.

"Você não lembra nada disso, lembra?" Ele me pergunta.

"Não. Eu não lembro de nada de antes de acordar agora a pouco."

"Tudo bem." Ele diz, em um to risonho em sua voz. "Eu acho que você vai ser ótimo."

O que? Eu estou tão cansado desse sentimento de estar totalmente perdido. Eu quero entender.

"Por favor," eu imploro. "O que está acontecendo? Quem é você? Quem sou eu?"

Eu ouço apenas silêncio.

"ME FALA!" Grito. Meu berro ecoa pela fenda, e nada me é respondido.

Horas passam.

Eu sou deixado sozinho com meus pensamentos. É tão difícil de vasculhar os corredores da minha mente, e descobrir que diabos eu sou. Isso é tão fora do normal... Eu não sei o porque, pois eu não tenho nenhuma memória da minha vida para comparar com isso, mas eu sei que quero sair daqui. Eu preciso sair daqui.

Eu caminho perto das paredes, sentido cada centímetro delas tentando achar qualquer sinal de uma saída. Não é possível que esse lugar tenha sido construído em minha volta. Como eu não consigo achar nada? Horas e horas passam, sem nada. Eu grito por ajuda até minha garganta doer, mas não adianta de nada. Se existe alguém lá fora, se o homem ainda estiver lá, ele não vai responder. Finalmente, exausto, eu me deito.

Quando eu acordo há comida para mim. Uma bandeja com pão, arroz, e um pedaço de carne no canto. Há um copo com água também. Estou extremamente faminto, então não tenho nenhuma hesitação enquanto ando até minha comida e a como. É delicioso. Estou tão feliz. Depois que termino tudo, eu finalmente volto ao meu senso e começo novamente a me perguntar quem sou eu.

Eu vou até a fenda e grito, "Olá?"

"Olá!" Eu ouço a voz em um tom alegre.

"Quem é você?" Eu pergunto.

"Você gostou da comida?" É a resposta que eu recebo.

Não estou no momento para merdinhas de jogos. Eu quero respostas.

"ONDE EU ESTOU? ME DEIXEM SAIR DAQUI!"

"Você sairá em breve. Nós temos que ter certeza que você está saudável!"

Mas que merda...? Eu sou apenas um experimento? Eu estou saudável o suficiente. Eu quero respostas, porra, quero saber quem eu sou. E mais importante, quero ser livre.

"ME DEIXE SAIR SEU BASTARDO DE MERDA! EU QUERO SAIR DAQUI!"

A voz tinha ido novamente. Eu grito mais, mas é sem sentido fazer isso. Estou sozinho.

Assim que as horas passam eu passo pela minha rotina de checar as paredes e achar um jeito de sair dali. Eu, obviamente, não acho nada. Eventualmente sinto vontade de usar o banheiro, mas não há lugar algum onde eu possa ir. Eu grito isso alto, mas ninguém me responde. Eu sou muito orgulhoso para fazer minhas necessidades em um canto. Isso é humilhação. Eu não deixarei eles me verem dessa forma. Se é que eles podem me ver. Algo me diz que eles podem. Eu sinto como se eles tivessem sempre me olhando.

As vezes eu deito e choro. Eu berro e grito e choro até que me sinta completamente exausto e durma.

Algo estranho então acontece. Eu sonho.

Na minha mente, estou voando. Há árvores e rios e a luz do sol e tudo é muito estranho. Eu consigo sentir uma sensação estranha no meu estomago e boca. Dói um pouco.

Acordo novamente em minha prisão. Ainda sinto um pouco de dor em meu estomago. Eu esfrego com minha mão e sinto algo estranho. Quando olho pra baixo há uma cicatriz saliente lá. Mas que merda é essa? Sinto a mesma coisa na minha bochecha. Estou chocado, mas no mais com muita raiva. Eles estão jogando comigo. Eles esperam até que eu durma e começando seus malditos jogos. Eu olho para as paredes e grito. Eu quero sair daqui.

"Você está bem?" Eu ouço a voz familiar.

"VOCÊ ME MACHUCOU SEU FILHO DA PUTA! VOCÊ ME CORTOU E ME ABRIU! O QUE VOCÊ FEZ COMIGO?!" Eu bato na fenda o mais forte que consigo. Eu vou quebrar essa porra. Eu quebrarei até aonde o homem está e vou FAZER ele me dar respostas. Eu bato e bato varias vezes. Minha mão dói muito. Acho que a quebrei. Eu não ligo. Eu apenas continuo batendo e gritando.

"Por favor, se acalme. Desculpe se eu te machuquei. Eu farei com que cure logo. Você está sozinho?"

Eu me nego a responder. Eu vou ignorá-lo, assim como ele me ignora. FODA-SE ele. Ele não parece ligar se eu respondo ou não. Ele não liga pra mim. Ninguém liga. Eu sou um animal. Eu sou um experimento. Eu sou uma porra de um brinquedo.

"Por favor, não se preocupe. As coisas estão para ficar muito melhores. Eu prometo." Com isso, ele some.

Eu sento no meu pequeno colchão duro, olhando minhas mãos. Dói tanto que eu não consigo mexer um dedo sem sentir uma forte dor em todo meu braço. Os ossos todos estão indo em diferentes direções, mal conseguindo se diferenciar uma mão humana. Só agora eu realizei o que tudo isso é. O que eu fiz comigo mesmo? Aquela fenda não ia se mexer ou quebrar, não importa o que eu fizesse. Nada vai quebrar ou mover. Estou preso. Isso é tudo que existe. Eu estou preso e não vou a lugar algum. Enquanto minha mente começa a divagar, finalmente um estranho pensamento vem a mim. Eu não tenho lugar nenhum para ir...

Quando eu fui dormir, eu precisava URGENTEMENTE o banheiro.Mas agora a necessidade tinha sumido. Eles tinham me aberto e tiraram meus excrementos?! Porque diabos eles fazem isso? O que está acontecendo aqui? Eu tento entender o que esta acontecendo por horas, pensar em algum cenário possível que isso tudo faria sentido. Eu penso em todos os tipos de coisa, mas nada faz com que "isso" faça sentido para mim. Isso é apenas uma loucura aleatória, e não há maneira alguma de eu entender. Então eu apenas desisto. Apenas aceito. É tudo que eu posso fazer.

E o tempo passa.

Eu não sei o quanto. Eu acordo. Eu berro, grito, choro. Há comida para mim, e eu como. A voz fala quase sempre agora e, dizendo coisas idiotas entre linhas que eu nem me importo em tentar entender. Daí eu durmo. Eu sonho as vezes, mas não sempre. As vezes são sonhos ruins. As vezes eu sonho que as paredes vão se fechando em mim, cada vez com menos espaço até que eu seja esmagado. Meus ossos se quebram, e meus pulmões estouram em colapso e sinto isso tudo, devagar. Estou aterrorizado. Estou louco. Quero sair. Eu VOU sair.

Eu acordo mais uma vez, e meu corpo dói. Há uma nova cicatriz no meu peito ao longo das minhas costelas, e outra em minha cabeça. As cicatrizes fazem parte do meu dia-a-dia agora. Nada novo a respeito disso. Apesar que essas pareciam um pouco maior do no usual, e doíam bem mais. Mas essa não era, de longe, a coisa mais incomum desse dia.

Eu olho pelo quarto, e não consigo acreditar no que estou vendo. Há uma garota aqui. Uma garota e ela parece ter por volta dos 17. Está deitada no chão, dormindo do outro lado do quarto, e assim como eu, completamente nua. Ela é linda. Estou cheio de alegria. Eu não sei o que eles tem em mente, mas eu não ligo. Há outra pessoa aqui! Alguém pra tocar, olhar! Alguém sabe que eu sou real! Alguém que talvez me ajude a sair daqui. Eu... Eu estou animado demais. Minha mente está correndo. Da onde ela veio? O que devo fazer?

Eu me levanto num pulo e ando até ela. Eu toco no seu ombro e começo a falar.

"Eí. Olá? Acorde." Os olhos dela piscam e se abrem enquanto ela se foca em mim. Ela está apavorada. Eu não sei pelo o que ela tem passado, mas ela não parece muito entusiasmada por estar com outro ser humano. Ela grita e se encolhe em um canto do quarto. Eu tento acalma-la, mas ela continua do mesmo jeito.

"Por favor, não! Eu não vou te machucar!" Eu digo o mais calmo que consigo. "Eu estou do teu lado. Estou com você! Por favor, se acalme. Confie em mim. Você está bem? Você sabe onde está?" Ela apenas continua encolhida no canto.

"Ouça, Eu estou aqui por tempo demais. Eu não sei que lugar é esse. Você sabe alguma coisa sobre isso tudo? Você sabe quem está nos mantendo aqui? Há outros da onde você veio? Você sabe seu nome?" Ela me responde apenas com um soluço em pânico. "Nós estamos juntos nessa. Estamos juntos aqui. Você não precisa se preocupar. Nós vamos ficar bem. Nós vamos dar um jeito nisso. Vamos sair daqui. Tá bom? Nós vamos sair daqui." Minhas palavras não significaram nada. Percebi que ela precisava de um tempo pra obter noção da realidade, então foi até a fenda e dei tempo para ela se acalmar.

"Ela vai ficar bem." Eu ouço uma voz baixa vindo da fenda. "Ela apenas precisa de tempo pra se acostumar com isso."

Tenho de admitir. Seja lá quem for essa pessoa, ele sabe o que está fazendo. Eu descobri a um tempo que não tem como usar argumentos para persuadi-lo. Eu apenas olhei pela fenda negra, e não disse nada.

Eventualmente, depois de horas chorando, ela se acalmou. Eu sentei com ela e tentei fazer algumas perguntas. Ela nunca responde e de fato parece não compreender o que estou dizendo. Eu sinto que o sinto da minha voz acalma-a um pouco, então continuo falando. Eu falo pra ela sobre minha experiência aqui começando desde o primeiro dia que acordei. Eu tento relatar cada detalhe que eu consigo lembrar sobre meu tempo na prisão. Logo ela se abraça em mim, e me sinto incrível. O calor, a pele macia do corpo nu dela abraçado contra o meu é diferente de qualquer coisa que eu tenha experimentado nesse quarto frio. Eu passo meus dedos entre seus cabelos e ela geme baixinho. Ficamos sentados lá, no chão, por horas. Eu sei que agora ela entende. Somos eu e ela contra seja lá o que for isso. Independente do que aconteça, nós estamos juntos nessa. Apesar dessa situação de merda toda, me sinto muito melhor agora.

Os dias continuam passando. As cicatrizes começam a desaparecer, e nenhuma nova mais aparece. A comida vem, e agora foi nos dado o "luxo" de ter um lugar para usar o banheiro. Eu e a garota estamos mais próximos. Nós, na verdade, fizemos amor algumas vezes. Ela é meu tudo agora. Eu juro que se tirarem ela de mim, eu não sei o que eu vou fazer.

Nós nos deitamos no chão se beijando agora. Acabamos de fazer amor de novo e foi lindo. Ela confia em mim, e eu nela. Eu nunca a machucaria, e nunca deixaria ninguém tocar nela. "Eu te amo" Eu digo a ela e beijo seu cabelo. Ela sorri e repete de volta para mim. Eu sei que ela entende o significado disso; consigo ouvir no tom de sua voz. Assim que ela cai no sono, eu prometo a mim mesmo que vou sair desse lugar e leva-la comigo.

Então acontece. Eu acordo e ela sumiu. Eu sabia que era apenas uma questão de tempo, eu fiz apenas que eu acreditasse que não ia acontecer. Eu choro. Grito. Eu vou até a fenda. "O QUE VOCÊ FEZ COM ELA!? ME DÊ ELA DE VOLTA!" Eu bato na fenda e grito.

"Não se preocupe!" A voz que eu estou acostumado diz. "Ela está bem. Ela está apenas em um novo local! É algo que estivemos trabalhando por um tempo. Gostaria de ver?"

Estou confuso. Estou triste. Com medo. Não há motivos para lutar. Ele é meu mestre. Ele tem o poder. Ele tem minha vontade. Eu limpo minhas lágrimas e digo que sim à ele. Eu imploro, na verdade. Eu falo que serei bom, que farei qualquer coisa que ele queira. Eu falo para ele que não vou mais tentar sair ou bater nas paredes e ser mau novamente. "Por favor, apenas deixe eu ficar com ela. Por favor."

"Em breve." Ele diz de volta, quase cantarolando as palavras.

"POR FAVOR!" Eu grito, choro, imploro. Eu não consigo ficar aqui sem ela, eu sabia. Eu faria qualquer coisa para estar com ela. A voz me deixa sozinho de novo e eu quero morrer. Eu faria qualquer coisa para me matar e acabar com isso tudo logo. Mas eu não posso deixa-la. Ela precisa de mim, e eu prometi a ela que nunca a deixaria. Eu choro e grito pelos cantos até tossir sangue. Finalmente eu vomito e desmaio de exaustão.

Eu acordo em um lugar estranho. Estou sonhando? Só pode ser. Há árvores. Há grama. Um lindo céu sobre minha cabeça. Eu não estou mais na prisão! Não pode ser real! Mas é. Realmente é. Espere.... Isso significa que...?

Corro. Eu corro por todo o lugar procurando por ela. Ele tinha me prometido. Ela tem de estar aqui. Eu estava realmente na minha casa nova. Olho em volta para perceber que estou ainda trancado, mas é muito maior agora. Vejo paredes brancas cercando o local vão até uma altura de 7 metros. Vou me preocupar com isso quando eu estiver com ela de novo. Agora só preciso encontrá-la. As árvores são realmente lindas. Tudo é lindo. Só preciso dela.

Finalmente a ouço. Ela da guinchos de felicidade e corre até mim. Nós nos abraçamos e choramos e nos beijamos apaixonadamente. Estou feliz. Estou tão feliz que me deixaram estar com ela de novo. Estou inteiro de novo e posso finalmente relaxar. Depois de nós dois nos acalmar, decidimos dar uma volta pelo novo local.

Por horas vagamos pelo recinto de parede a parede. Seja lá quem fossem nossos captores, tinhas feito um ótimo trabalho neste lugar. Há um rio que flui inteiramente pelo local todo. Existe uma máquina gigante que sobe para o céu e sobre a parte superior da cerca. Quando nos aproximamos ela nos é oferecida comida. Todo o alimento que poderia querer. E é tudo delicioso. Isso é incrível. Nós provamos tudo, o quanto podemos até ficarmos cheios. Nós estamos tão feliz juntos. Mas ainda... há algo que impeça o novo local de ter total liberdade. Essas malditas paredes. Se nós vamos nos libertar pra descobrirmos que nós somos, onde estamos, teremos que passar essas paredes.Então agora só precisávamos de um plano.

Os dias passam. Nós aproveitamos um ao outro no nosso paraíso privado, secretamente tentando achar um jeito de escapar dali. O homem da fenda nunca fala com a gente aqui. Mas ainda assim, sei que está nos vigiando. Todos eles estão nos vendo. Eu consigo sentir isso tudo o tempo durante o dia.

Um dia algo aconteceu. Ela viu algo e falou animada para mim "Olha! Olha!", sussurrou. Estou muito orgulhoso com o desempenho do aprendizado da língua com ela. Recentemente ela tem aprendido bastante comigo. O que eu vi foi uma árvore, assim como todas as outras. Mas essa estava perigosamente perto da parede e era alta suficiente pata que pudéssemos escala-la e pular fora daqui. Seria uma queda e tanto, mas provavelmente valeria a pena para ver além dos muros pelo menos. Falo para ela que devemos esperar. Se fizermos algo precipitado sem pensar, poderíamos foder todo o plano. Ela entende, eu sei, mas não gosta. Eu digo para ela se acalmar por um dia ou dois até descobrirmos o melhor jeito de fazer isso. Eu sei que eles estão de olho na gente. Eles só estão esperando que pisemos em falso para que possam nos punir. Eles vão nos separar ou nos colocar no quartinho de volta. Ou pior, os dois. Não POSSO deixar isso acontecer. Não tem jeito.

Tenho quase certeza que finalmente ouvi meu velho amigo novamente. Eu acordo por conta de sua voz sussurrando para mim. Eu olhei em volta, não vi nada. A voz está em todos os lugares e em nenhum lugar. Está dentro da minha cabeça? Estou imaginando isso? Eu não sei mais. Eu não estou disposto a arriscar o jogo se é apenas minha imaginação, por isso eu falo de volta. "O que você quer? O que você fez com a gente? Onde estamos?" Ele ignora todas as minhas perguntas. Eu não estou surpreso por isso. Ele fala comigo, me avisa. Ele sabe do nosso plano. Eu SABIA que eles sabiam. Não temos segredos perante nossos captores. Eles estão em todos os lugares, nos vendo.

"Esqueça isso." Ele fala. "Apenas aproveite sua nova casa."

"PRISÃO" Eu corrijo-o. "Aqui é uma merda de uma prisão. Tudo que eu quero desde que eu acordei aquele dia é a porra da verdade, e eu nunca tive nada de você. Você é doente. Eu estou aqui, sequestrado, por meses, ANOS, APENAS ME DIGA QUEM EU SOU!" Ah voz já havia sumido.

Eu ando por ali pensando em tudo isso. Hoje é o dia. Nós vamos sair daqui. Não importa o que há depois dos muros, eu sei que tem que ser melhor que aqui. Liberdade além dos muros.

O sol nasce e eu vou até ela. Eu creio que ela devia estar acordando por agora. Quando eu vou para aonde nós costumamos dormir, ela não está lá. Ela nunca foge de mim assim. Onde ela est- Ah, não... Ela já está indo. Será que a voz veio para ela também durante a noite

Eu corro até a arvore. Eu sei que ela está lá. Eu sei que está. Quando eu finalmente chego lá, ela está na metade da escalada. "ESPERE!" Eu grito. Ela olha para mim e sorri. Ela me motiva para eu subir com ela. Eu ainda estou assustado, mas eu percebo que eu consigo me deixar ser. Eu tenho que ficar forte perante estas pessoas, esses bastardos. Eu vou dar tudo que eu tenho para isso.

Juntos, nós dois juntos vamos subindo rapidamente. Vamos cada vez mais alto, e finalmente, FINALMENTE estamos quase no topo. Ela chega até o topo e se inclina em direção à parede. Eu olho para o seu rosto e vejo um expressão de total deslumbre e êxtase. Ela venceu. Ela sabe disso. Seja lá o que ela vê, ela sabe que é a sua liberdade. Ela sorri para mim e eu vejo a curiosidade infantil em seus olhos. Sem poder mais esperar, ela desce um pouco, me beija, e escala até o muro.

MERDA! Eu ouço sua garra no topo do muro e então o caminho até o outro lado em uma bruta queda. Ela grita assim que eu ouço seu corpo batendo no chão do outro lado. Por favor, deixe-a ficar bem. Não deixe que nada aconteça com ela! Sem pensar, eu faço meu caminho ao topo do muro e pulo.

A queda é dura para mim também. Quando aterriso sinto dores como eu nunca havia sentido nem pelas cicatrizes. Mas acho que nada está quebrado, pelo menos. Se está, estou muito preocupado com ela, primeiro. Ela está chorando e segurando a própria perna. Eu dou uma olhada, mas ela parece estar bem. Mas algo está diferente nela. Talvez seja o jeito que a luz está iluminando a sujeira, mas a pele dela parece mais áspera. Ela está suja. Eu também. Finalmente levanto para ver onde estamos.

Nós caímos na lama. Lama muito suja. Estamos roxos, doloridos e assustados. Mas pelo menos estamos livres. Pelo menos temos uma chance. Eu olho para o muro que acabamos de escalar, orgulhoso de nossa realização. Então ouço algo. Um pouco a frente de nós há outra construção. Um prédio enorme em formato de pires com uma porta mecânica que acabara de abrir.

Vamos andando até lá devagar, tomando cuidado para não nos machucar mais. Minhas pernas ainda estão me matando, mas tenho que saber o que tem lá. Assim que nos aproximamos, o prédio faz um barulho incrível que nos faz parar em nossos lugares. Pela porta andam...outros. As únicas outras pessoas que eu já tinha visto.

Deviam haver duas dúzias deles pelo menos. Mas eles não eram que nem a gente. Eles eram mais altos. Mais magros. Usavam roupas. O tom da pele deles eram muito mais clara que as nossas e a ponta de seus dedos eram muito mais longas. Eles eram que nem nós, não á dúvida, mas havia algo muito diferente. Um deles se aproximou de nós.

Ele anda até uns 5 ou seis metros da gente e parou. Ele olhou intensamente para nós.Tudo que pudemos fazer é olhar de volta. Quando ele finalmente fala, fico em choque. Esse homem, o homem que eu estou olhando cara à cara, é o homem da fenda. Ele é a voz que me manteve preso e me atormentando por tanto tempo. Ele é meu único amigo e inimigo.

"O que vocês fizeram?" Ele diz para nós dois. Eu não consigo dizer pelos seu grandes olhos pretos se ele está chateado ou triste. "Vocês arruinaram tudo que fizemos por vocês."

"VAI SE FODER!" Eu grito. "Não vamos mais ser seus escravos!"

Ele nos fita em silêncio pelo o que parece ser minutos. Ele olha para os outros que ainda estão entro da construção. Ele deixa escapar um grande suspiro, e olha de volta para nós.

"Nós sabiam que era apenas uma questão de tempo. Vocês terão que fazer as coisas por vocês mesmo agora. Esse é, eu temo, o único jeito de vocês aprenderem."

Eu não sei o que dizer. Eu não tenho certeza o que ele quer dizem com isso. Eu não tenho certeza se eu realmente me importo. Eu apenas o olho, esperando ao lado do meu amor. Não importa o que, eu sei que não precisarei voltar como as coisas eram antes. Isso é tudo que importa.

Ele anda de volta para a construção e a porta se fecha. Então do nada, maravilhosamente, a construção sobe no ar. Com um flash absurdo os muros e tudo que havia antes sobre nossa prisão havia desaparecido, sem nenhum vestígio que havia um dia existido. A construção flutua mais alto e mais alto até que sumir de nossas visões. Então, finalmente, estamos sozinhos.

Juntos nós vasculhamos a área, procurando por respostas. Eu estava começando a me sentir um tanto ansioso. Estou com fome, e pela primeira vez que eu consigo me lembrar, eu não tenho comida. Não há dispensa, não há maquinas, não há truque de mágica para mim. É apenas eu, ela e o mundo.

Tem sido muito diferente nestes últimos dois anos. Nós estávamos tão perdidos quando eles partiram. Eu me odeio por dizer isso, mas eu gostaria de estar de volta com eles. Eu quero ouvir sua voz novamente e quero minha comida e ficar limpo e que tomem conta de mim. A comida que comemos agora é terrível. O modo como vivemos é terrível. Nós ficamos sujos o tempo todo. Nós nos machucamos. Sempre que vamos dormir estamos sujos, e pela manhã quando acordamos estamos do mesmo jeito quando fomos dormir. Temos que nos limpar e cuidar de nós mesmos. Só depois que nos deixaram foi que percebemos o quanto éramos dependentes deles.

Está frio aqui fora. Temos que matar os animais que vagam aqui e vestir suas peles apenas para nos mantermos aquecido. Sentimo-nos estúpido, sujo, impotente. Nós odiamos o que nos tornamos. Às vezes eu fico acordado à noite e tento recuperar a voz na minha cabeça. Eu tento falar com ele e eu continuo esperando e esperando que ele venha me responder. Mas ele não faz. Seja lá quem eles era, agora se foram. Só restou eu e Eva. Assim como quando nos conhecemos, eu sei que não importa o que aconteça, nós temos um ao outro. Isso me ajuda a passar por tudo isso através dos dias.

Nós crescemos bastante nesse período. Ela está grávida agora, então estamos trabalhando duro para tentar construir um bom abrigo para nossa família. É difícil, mas eu sei que nós podemos fazê-lo. Algumas noites ela desmorona e eu seguro a cabeça e acaricio seus enquanto ela chora. " Onde você acha que eles foram, Adão? Você acha que eles vão algum dia voltar e nos ajudar?" Eu sei que eles não vão.

Eu tento ser forte por ela. "Eu não sei. Talvez venham. Eles nos amaram. Eu sei que eles ainda amam."

Eu beijo seu cabelo como eu fiz tantas vezes antes. Espero, mais do que tudo, que o que eu lhe disse seja.

Teoria do Phineas e Ferb

Eis uma teoria que achei rondando pela internet. Achei ela bem interessante, e estou postando a seguir.

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Danville é o Céu. Isso não nem uma metáfora, é literalmente o Céu. Assim:

Phineas e Ferb são Deus e Jesus respectivamente. Isso explicaria como ele conseguem construir tantas coisas em um dia, comparado com o tanto de anos que pessoas normais precisam para construir as mesmas coisas.
Isabella e as Garotas Companheiras são anjos; isso explicaria por que elas ouvem Phineas e Ferb, todos os caprichos de Deus e Jesus.
Major Monograma é o Espírito Santo, o terceiro da Santa Trindade.

Perry e o resto dos agentes secretos são Anjos Guardiões. Eles estão prontos pra proteger qualquer pessoas no céu das garras no Diabo, o que me direciona a duas outras coisas:

Primeiramente, são todos crianças e adultos. Eles são espíritos recentes que morreram e atingiram o Céu. A recompensa deles por terem vivido uma boa vida é serem parte do plano de Deus e Jesus todos os dias.
Segundo, Doofensmirtz é o Diabo. Algumas pessoas teorizam que o Diabo não é mau, é apenas o trabalho dele cuidar do inferno e assistir as almas más. O criador do desenho provavelmente crê nisso e fez Doof semi-mau. Por isso ele dá a Perry algumas chances de pará-lo.

Escuro

Sabe quando você apaga a última lâmpada… Está no escuro, e sente aquele frio na espinha?
Não importa se é criança, adulto ou velho…
Você sempre pode sentir o ambiente esfriar de repente, como se seu sangue gelasse só por causa do escuro…

A maioria das pessoas deixa a lâmpada do quarto acesa… E se foca na claridade do caminho de volta pro quarto, outros vão correndo… Mas poucos olham pra trás…
Você sabe que não tem nada lá no escuro… Ou pelo menos sua mente quer pensar assim…
Mesmo quando está deitado, e ouve barulhos estranhos, você ignora, você sabe que pode ser o vento, ou algum objeto em falso que caiu…

Mas lá no fundo… Você tem medo de olhar e perceber alguma coisa te olhando de volta…
As crianças tem este medo… Mas vão crescendo sendo treinadas para acreditar que não há nada lá…

Eu acreditava…

Naquela vez que fui ao banheiro, tinha esquecido de ligar a luz do corredor…
Era desnecessário, eu sabia o caminho…
Fui olhando pro chão, com medo de tropeçar em algo no escuro…
Estava frio… Achei normal, afinal era noite…
Enquanto fazia o que tinha ido fazer no banheiro, senti um pequeno calafrio…
Ri sozinho… Estava realmente apertado, era um alívio!
No caminho de volta, ouvi um estalo atrás de mim, e me arrepiei…
Nessa hora nosso cérebro começa a procurar uma explicação pro que está havendo…
Comecei a vasculhar minha mente, tentando lembrar se eu tinha trancado a porta… Tinha. Tinha certeza que sim.

E essa é a hora em que você pensa o quanto seu medo é ridículo, e olha pra trás pra provar a si mesmo que está errado… Eu olhei…

O que eu vi, fez meu sangue gelar…

Olhava diretamente pra mim…
Não podia ver seus olhos, mas sabia que olhava pra mim…
Minhas pernas não se mexiam… Eu não conseguia gritar…
Parecia ter levado uma eternidade encarando aquelas órbitas vazias, até que consegui forças pra correr até o meu quarto e acender a luz…
Enquanto meu coração parecia querer sair pela boca, olhei para onde a coisa estava… E não havia nada…
Na manhã seguinte, não sabia se havia sido um sonho, ou se tinha sido mesmo verdade… Eu só sabia de uma coisa…

Eu não durmo mais de luz apagada.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A mulher do velório


Essa lenda urbana é bastante contada em faculdades por causa dos cemitérios, símbolos das histórias de terror. Reza a lenda que uma garota que era uma estudante de Psicologia , estava no final de seu curso e ficou responsável por pesquisar o comportamento das pessoas nos velórios e enterros .

Primeiro , ela estudou teorias sobre este comportamento . Mas depois a estudante resolveu partir para a prática , visitando , discretamente , velórios e enterros de estranhos . O primeiro velório foi de um senhor de idade , que tinha sido um professor famoso . Esta cerimônia foi cheia de pompas e discursos . Porém , uma pessoa em especial , chamou a atenção da estudante : era uma idosa de cabelos brancos , vestida de preto , com uma mantilha negra e antiga na cabeça . A primeira vez que a estudante olhou para esta mulher , teve a impressão de que esta velhinha não tinha pernas e estava flutuando . Porém , depois a estudante olhou , novamente , para esta esquisita figura , viu as suas pernas normais e concluiu que aquilo poderia ter sido uma ilusão de ótica . O segundo velório , visitado pela estudante , foi de uma criança de classe baixa , num bairro muito popular . Esta estudante estava observando o comportamento das pessoas , quando viu , novamente , a estranha senhora do primeiro velório .

Então , a acadêmica resolveu olhar para a mulher com mais cuidado . Porém , a velhinha olhou em sua direção e a estudante teve a impressão de ter visto duas estrelas no lugar dos globos oculares desta mulher . Então , a moça pensou que isto poderia ter sido uma bobagem de sua cabeça . O terceiro velório , que graduanda visitou , foi o velório de um empresário milionário , amigo de sua família . Por ser um velório de gente importante , só entrava quem fosse conhecido . A estudante entrou , mas dentro do local , ela teve uma surpresa : a idosa esquisita estava lá também . Assim a estudante também resolveu ir ao enterro deste homem rico e aquela estranha senhora foi junto . Após o enterro , a estudante decidiu seguir aquela idosa esquisita , que ficou algum tempo andando pelo cemitério , até que parou num túmulo marrom . Então , a estudante notou que a mulher da foto do túmulo era aquela mesma velhinha estranha , e , sem querer , soltou uma exclamação :

– Ave !

Assim , a idosa olhou para trás e disse :

- Ave , minha filha !

- Como é possível ? ! A foto da mulher enterrada neste túmulo é a cara da senhora !

- Bem , isto faz sentido , porque esta mulher que está aí enterrada , neste túmulo marrom , sou eu …

– Isto não é possível … Só pode ser uma brincadeira , ou , uma alucinação minha … E por que a senhora visita tantos velórios e enterros ?! Qual é a explicação de tudo isto ?

- Eu nasci há algum tempo atrás … A minha vida foi indolente e sem graça… Fui filha única , não me casei , não tive filhos e não trabalhei … Eu apenas ficava vegetando em casa … Sem fazer nada por preguiça … Quando meus pais morreram , eu vivi tranquilamente , com a pensão que eles deixaram para mim . Mas , quando eu morri , a primeira coisa que eu vi , foi o filme da minha vida inteira : um tremendo vazio … Em primeiro lugar , um anjo tentou me levar para o céu , mas eles não me aceitaram lá , porque eu não tinha feito nada de útil para a humanidade … Depois , o mesmo anjo tentou me levar para o inferno , mas o diabo não me aceitou porque eu não era má suficiente … Após isto , o anjo me levou para o purgatório , mas o guardião de lá , não me aceitou , alegando que eu não tinha feito nenhum pecado para purgar . Então , apareceu o chefe deste anjo , que falou que o melhor a fazer era dar uma missão útil para mim , como colaboradora da morte .

- E o que uma colaboradora da morte , faz ?

- Uma colaboradora da morte tem uma missão parecida com a deste anjo : quando alguém morre , ela coloca o filme da vida , desta pessoa falecida , para ela ver e guia a sua alma até muitos lugares como : o céu , o purgatório e o inferno .

Após escutar tudo isto , a estudante desmaiou . No hospital ela contou a história para os enfermeiros, disse que estava vendo o filme da sua vida diante dos seus olhos e em seguida, faleceu.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rubber Johnny

Rubber Johnny é um vídeo experimental criado por Chris Cunningham, por volta de 2005, levando o som do Aphex Twin. O vídeo em si, mostra um adolescente com deformações físicas que vive em um porão com seu cachorro.

O filme começa com o homem (provavelmente um médico) entrevistando Johnny, que balbucia incompreensivelmente em um closeup fora de foco, "ma-ma" duas vezes. Isso faz o homem pergunta se ele quer ver sua mãe. Johnny finalmente começa a respirar de forma irregular e o homem diz que ele vai dar Johnny "um pouco de injeção", para se acalmar se acalmar.

Vemos então uma luz piscando, em seguida, um rato rastejando pelo chão seguido do título, "Rubber Johnny", que é visto escrito em um preservativo.

Johnny é visto pela primeira vez inclinado para trás em sua cadeira de rodas com a cabeça enorme que se projeta para trás. Johnny murmura distorcidamente "Aphex". Então começa a música Aphex Twin, e ritmicamente Johnny começa a segui-la, enquanto vigia seu cão. Sua dança envolve-o executando truques de equilíbrio com sua cadeira e demais movimentos.

Por volta de um minuto, uma porta se abre e ele é interrompido por alguém que parece ser seu pai. Durante este, Johnny está fora de sua ilusão e é mostrado sentado na cadeira de rodas, voltando-se para ele. Seu pai abre a porta da sala, grita com ele palavras ininteligíveis, e bate a porta.

Depois que ele sai, Johnny é visto inalar uma grande linha de pó branco. O vídeo, em seguida, torna-se ainda mais errático e delirante. A música torna-se uma insuficiência mais espasmódica da música anterior, e Johnny agora se esconde atrás de uma porta, evitando os feixes de luz branca. Mais tarde, ele tem o rosto esmagado a alta velocidade em um vidro, com a câmara gravando a partir do outro lado de modo a que a pele fique semelhante a elástico e mesmo algumas entranhas podem ser vistos se achatando sobre o vidro cada vez mais.

Depois de um tempo, ele é interrompido pela segunda vez por seu pai gritando, depois que o vídeo termina com Johnny, mais uma vez de volta, reclinado na cadeira de rodas e balbuciando com seu chihuahua.

A seguir, o vídeo.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Mitologia Lovecraft

Mais um post sobre H.P Lovecraft, um dos contistas de terror que causa impactante influência ainda hoje, tanto no terreno das creepypastas como em outras histórias de terror.

Seus contos ficaram tão famosos que fora criado uma mitologia própria. Incluindo nela vários de seus personagens, como Cthulhu, famoso pela sua descrição nos contos de Lovecraft. Até hoje, Cthulhu é usado na ficção científica como o mal extremo e o mais puro horror.


Sobre a Mitologia Lovecraft

Lovecraft era ateu e completamente crítico sobre o comportamento humana, em especial, sobre os princípios éticos proposto por Kant. O escritor afirmava que o ser humano é despreparado para lidar com a realidade, pois ela é cruel, fria, desprovida de qualquer piedade e sentimentos. A realidade do universo é o caos, inifinito, aonde o único sentido é tentar sobreviver o máximo possível. É constante ao longo de todas as histórias a idéia de que a humanidade e o nosso planeta são uma “concha” de sanidade mental, imersa num universo completamente alienado, povoado por criaturas e raças poderosas, deuses estranhos e regido por leis completamente insondáveis e divergentes das leis naturais que conhecemos. Um homem exposto a esta realidade tem tendência a enlouquecer. A sanidade mental é vista como uma cortina que nos protege da realidade, permitindo que as sociedades humanas subsistam como às conhecemos, alheias à estranheza do universo que as rodeia. A personagem principal nas histórias de Lovecraft é tipicamente um cientista, investigador ou professor universitário que se vê confrontado das mais diversas formas com esta terrível realidade.

Outra ideia de base importante é a de que a maioria dos cultos e religiões humanas das mais diversas épocas e regiões do globo, sendo aparentemente dispersas, representem imagens distorcidas e por vezes complementares da verdadeira natureza do cosmos. Segundo a Mitologia de Cthulhu, diversas raças e entidades superiores teriam habitado a Terra antes do Homem, e diversas o farão depois da Humanidade desaparecer. Algumas destas entidades superiores (como o próprio Cthulhu), dado o seu ciclo de vida inimaginavelmente longo, e a sua supremacia física e intelectual sobre o Homem, são facilmente confundíveis com Deuses. Cultos primitivos teriam aparecido para adorar estes pseudo-Deuses. Muitas das histórias dos Mitos ( um dos principais livros de Lovecraft) especulam sobre a subsistência desses cultos na atualidade, as suas atividades obscuras e as suas motivações incompreensíveis, criando um ambiente extremamente tenso e paranoico.

Deuses Exteriores

No panteão dos livro Mitos, os Deuses Exteriores ocupam o topo da hierarquia. De natureza claramente sobrenatural, governam o universo segundo princípios, desígnios e motivações incompreensíveis para a Humanidade. Tão pouco eles se parecem interessar por ela, sendo-lhes o seu destino indiferente. Não estão limitados pelo espaço ou pelo tempo, conseguindo visitar qualquer local e qualquer era. Percorrem também os diversos planos de existência, sem excluir as Dreamlands.

Azathoth

Origem do Nome: do árabe Izzu Tahuti, que significa “poder de Tahuti”, provavelmente uma alusão à divindade egípcia Thoth.

Azathoth é o “Sultão Demoníaco”, o mais importante dos Deuses Exteriores. Fisicamente é uma massa gigantesca e amorfa de caos nuclear, sendo incrivelmente poderoso mas completamente desprovido de inteligência. A sua “alma” é Nyarlathotep, o mensageiro dos Deuses. Azathoth passa a maior parte do tempo no centro do universo, dançando ao som de Deuses Menores flautistas. A maior parte das suas aparições em locais diferentes deste estão relacionadas com catástrofes gigantescas, como é o caso da destruição do quinto planeta do Sistema Solar, que é hoje a cintura de asteróides.

Nyarlathotep

Origem do Nome: do egípcio Ny Har Rut Hotep, que significa “não existe paz na passagem”.

Nyarlathothep é a alma e o mensageiro dos Deuses Exteriores. É o único deles que tem vindo a travar contatos com a Humanidade, mas os seus objectivos são imperscrutáveis. Possui um inteligência inimaginável e um sentido de humor mórbido. Consegue adotar centenas de formas físicas distintas, podendo parecer um homem vulgar ou uma monstruosidade gigantesca. Especula-se que um faraó obscuro da IV Dinastia do Egipto Dinástico fosse Nyarlathotep “em pessoa”. A própria Esfinge será uma representação em tamanho natural de uma outra forma de Nyarlathotep.

Hierarquia dos Deuses

Na Mitologia criada por H.P. Lovecraft, forças sobrenaturais de incomensurável poder controlam o Cosmos e tudo que nele existe.

Essas forças compõem um conjunto de seres que são chamados coletivamente por alguns poucos estudiosos de “Os Mythos de Cthulhu“. A designação denota uma tentativa humana de categorizar e interpretar o que são e qual a função de cada um desses seres no grande plano universal. Mas o próprio nome adotado é curioso, uma vez que Cthulhu é apenas uma das entidades que compõem essa ordem cósmica e nem de longe a mais poderosa.

Isso demonstra o quão pouco a humanidade compreende a respeito dessas Entidades.

Na concepção de Lovecraft o Universo não foi criado pelos seres humanos ou por qualquer força conhecida. Não existe um Deus, onipresente e onisciente, as divindades humanas são meras fábulas. Não há Buda, Alá ou Jeová. Humanos não possuem almas imortais e quando a vida abandona nosso corpo, nós nos tornamos poeira.

Da mesma forma, o Cosmo não existe para proporcionar à humanidade um lugar de direito. A humanidade é um mero acidente, nós existimos por existir. Nosso papel dentro do cosmo é irrisório, pois no grande esquema das coisas somos irrelevantes. Mesmo quando vivos, não passamos de poeira.

O Trono de Azathoth, o Caos Nuclear ocupa um lugar quase inacessível considerado por alguns como o Centro do Universo. Lá teria se iniciado a expansão do Big Bang, onde todo o nosso Universo se originou pela sua ação.

Imagine que somos náufragos, flutuando em um grande bloco de gelo sem direção e que pouco a pouco esse iceberg vai derretendo. E o interminável oceano de mistérios que nos cerca além de ser insondável e assustador é habitado por monstros. Essa é a trágica condição da humanidade na obra de Lovecraft. Conquistas, progresso, avanços científicos… nada disso realmente importa, nada disso é relevante pois mais cedo ou mais tarde esse bloco de gelo vai desaparecer e vamos afundar em um mar de perigos e horrores inenarráveis do qual jamais vamos emergir.

Os Mythos estão acima da ordem natural que nós acreditamos conhecer. A própria natureza pode ser pervertida, invertida ou simplesmente ignorada por seres que nós somos incapazes de conceber. Eles dominam a realidade e tentar entender como eles pensam ou agem é perigoso, de fato, buscar as respostas para os enigmas do universo é como tentar cruzar um deserto interminável à pé. Quanto mais apredemos, mais a nossa razão sofre. Como consequência a única recompensa por esse saber é a insanidade.

No mundo inclemente dos Mythos conhecimento não é poder, conhecimento é aniquilação.

Isso explica por que sabe-se tão pouco a respeito dos Mythos. Na melhor das hipóteses todo o conhecimento acumulado ao longo de milênios a respeito dessas entidades e copiado laboriosamente em tomos, não passa de um grão de areia. Contradições e confusões são comuns, e muito do que se imagina a respeito dos Mythos de Cthulhu simplesmente não está certo. Mesmo o Necronomicon, tido como o maior tratado humano à cerca dos Mythos e que supostamente reúne o mais profundo saber sobre eles, está incompleto ou contém enormes erros. Não se pode acreditar em nada que se ouve ou lê a respeito dos Mythos e um feiticeiro que se diz conhecedor dos mistérios não passa de um tolo.

Um dos aspectos mais interessantes na obra de Lovecraft é que nem mesmo ele buscava responder as perguntas. Assim como seus personagens, envolvidos com revelações inacreditáveis, o próprio autor não ousava oferecer uma explicação racional ou coerente. De onde vieram os Mythos? Qual o seu propósito? Tudo o que podemos fazer é adivinhar ou supor.

Então vamos tentar supor.

Conforme o modelo estabelecido, o “Panteão dos Mythos de Cthulhu” possui uma hierarquia estratificada que divide as criaturas conforme seu poder e influência.

Algumas dessas forças são princípios cósmicos que literalmente assumiram uma forma, conceitos como Caos e Fertilidade. Outros são “meros” deuses, criaturas de tamanho poder e idade que os planetas são relativamente jovens em comparação a Eles. Enquanto outros são apenas estranhas criaturas, nascidas através de reações bioquímicas acidentais (ou não) que formam aquilo que costumamos chamar de formas de vida.

No topo da hierarquia se encontram os Deuses Exteriores (Outer Gods). Esses seres não podem ser compreendidos como indivíduos, uma vez que são na realidade a personificação de forças cósmicas essenciais para o próprio funcionamento do Universo: tempo, espaço, energia, caos, vida. Para alguns estudiosos eles são os Verdadeiros Deuses do Universo.

Sem eles o próprio Cosmo entraria em colapso e o Universo como conhecemos acabaria por desmoronar. Apenas uma pequena parcela dessas entidades é conhecida pelo nome e não se sabe ao certo quantas delas realmente existem. Um dado alarmante é que muitos deles são obtusos, descritos como “cegos e idiotas”, incapazes de compreender sua função.

Uma das representações mais conhecidas de Yog-Sothoth, “aquele que espreita no limiar” entre o tempo e o espaço.

Os Deuses Exteriores tem pouco interesse na humanidade, de fato, o mais provável é que eles sequer saibam de sua existência. Nyarlathotep é a exceção a essa afirmação. Por motivos desconhecidos, esse Deus tem um profundo interesse no homem e de tempos em tempos se envolve nos rumos da espécie. Humanos que se envolvem com esses seres normalmente terminam seus dias loucos… ou acabando sendo mortos. Outras raças possuem um maior conhecimento a respeito dos Deuses Exteriores e muitos os veneram.

Azathoth talvez seja o mais poderoso dos Outer Gods. Ele habita o Centro do Universo, uma força de Caos Nuclear girando eternamente ao som de flautas mefíticas. Teóricos acreditam que Azathoth foi o responsável pelo Big Bang e que partiu dele a ação que desencadeou o Nascimento do Universo. Da mesma forma, em dado momento ele pode ocasionar o efeito contrário de entropia que dará fim a essa criação. Ao redor de Azathoth, chamado de Daemon Sultan, orbitam milhares de outros deuses igualmente cegos e idiotas.

Munido de uma flauta, Nyarlathotep se une ao coro dos Serviçais à disposição dos Deuses Exteriores. Seria ele apenas um arauto fiel, ou sua função vai muito mais além que suprir as necessidades de mestres cegos e idiotas?

Nyarlathotep é apontado como a alma e a consciência desses deuses e existe para regular os desejos e caprichos dessas Entidades. Ele viaja através dos pontos mais distantes do universo acompanhando os deuses sem nome e agindo como um mensageiro de sua vontade. Há conjecturas que afirmam ser ele a personificação dos poderes telepáticos dos deuses, mas ninguém sabe ao certo. O Caos Rastejante é um mistério inserido num enigma. Venerado em todo o universo através de incontáveis nomes e disfarces, Nyarlathotep é uma das forças mais presentes no cosmos.

Yog-Sothoth personifica o tempo e espaço. Dentre os Deuses Exteriores apenas Azathoth aparece como seu superior. Paradoxalmente, Yog-Sothoth chamado de “a chave para o portão onde as esferas se encontram“, não habita o nosso universo e sim sua própria dimensão. Apenas magias e rituais de enorme poder são capazes de invocá-lo para nosso mundo. É possível que a simples presença de Yog-Sothoth em nosso universo cause um efeito danoso no tecido do espaço-tempo. Quem pode imaginar o que sua presença por um tempo prolongado seria capaz de desencadear?

Shub-Niggurath é outro Deus Exterior digno de nota, ele representa a energia da vida e da abundância. O local por ele habitado é desconhecido, mas essa entidade tende a responder ao chamado de seus cultistas onde quer que eles se encontrem, o que inclui a Terra.

Ele (ou para alguns Ela) é o princípio cósmico da fertilidade e da perpetuação da vida que dá origem às infindáveis espécies e criaturas do cosmo. Venerado em um sem número de mundos, Shub-Niggurath é a divindade central para os Mi-Go e várias outras espécies habitando as esferas distantes.

Tudo aquilo que é tocado por Shub-Niggurath experimenta o caos da transformação e do crescimento. Para alguns trata-se de uma entidade benevolente que representa a abundância, mas a verdadeira face da “Cabra Negra com Mil Filhos” é bem mais nefasta. Ela é a progenitora de aberrações e de seres abomináveis, gerados em seu ventre fecundo.

Outros Deuses Exteriores conhecidos são Tulzscha, Daoloth, Ghroth e Abboth apenas para citar alguns entre tantos outros.

Great Old Ones – Os Grandes Antigos

Muitas vezes confundidos com Deuses Menores, os Great Old Ones são provavelmente seres vivos incrivelmente poderosos, com ciclos de vida espantosamente longos. Especula-se sobre se pertencerão todos a uma ou várias raças cujos elementos se encontram dispersos pelo universo. A variedade do seu aspecto parece excluir a possibilidade de pertencerem todos à mesma raça. Os seus propósitos são mais compreensíveis do que os dos Deuses Exteriores, estando interessados em colonizar planetas. É frequente um Great Old One liderar um povo de uma raça menos poderosa. Na Terra existem cultos dispersos a vários destes seres, principalmente Cthulhu.

Reinado de Cthulhu e o seu retorno

Quando Cthulhu chegou à terra milhões de anos antes do aparecimento do Homem e povoou-a com a sua raça de Deep Ones, seres humanóides anfíbios. Construiu a gigantesca cidade de R’lyeh, onde é hoje o Oceano Pacífico. Daí comandou o seu império, até ao dia em que as estrelas atingiram um alinhamento que o obriga a entrar em letargia. Cthulhu dorme na sua cidade submersa por água, aguardando o dia em que a posição das estrelas lhe permita voltar à vida e de novo reinar sobre a Terra. Cthulhu é capaz de comunicar por sonhos enquanto dorme, influenciando alguns seres humanos mais sensíveis durante o sono. Diversos cultos tentam apressar o seu regresso, mas ele próprio não parece ter muita pressa. Especula-se que esta longa hibernação seja uma característica normal do seu estranho ciclo biológico.

Yuggoth

Ainda antes da descoberta oficial de Plutão, o último planeta do Sistema Solar, Lovecraft já escrevia sobre Yuggoth, um pequeno planeta sólido com a sua órbita exterior à de Netuno. Yuggoth é a terra natal de uma raça de criaturas terríveis, os Fungos de Yuggoth, que são seres insectóides da dimensão de um homem com a capacidade de voar através do vácuo interplanetário, e donos de uma tecnologia incrivelmente avançada. Os Fungos de Yuggoth vagueiam por todo o Sistema Solar, incluindo a Terra, com propósitos desconhecidos.

Existe bastante polêmica sobre se os Mitos de Cthulhu podem ser considerados uma verdadeira mitologia, ou mesmo uma pseudo-mitologia. Tendo todas as características de uma qualquer outra mitologia, desde um panteão de Deuses a um conjunto de lendas (os contos de Lovecraft e outros), foram criados de uma forma perfeitamente artificial e intencional por um conjunto restrito de escritores.

De forma um pouco marginal ao núcleo central do seu trabalho, e sob a influência de Lord Dunsany, Lovecraft escreveu algumas histórias oníricas, passadas numa dimensão de sonhos, as Dreamlands. A história central deste ciclo é “The Dream-Quest of the Unknown Kadath” e narra as aventuras de Randolph Carter, um homem que quando sonha se vê transportado para um outro plano de existência, semelhante a uma terra medieval povoada de criaturas fantásticas. As Dreamlands são aparentemente um lugar de paz e tranquilidade, habitado por criaturas próprias do imaginário infantil. Este sonho pode por vezes transformar-se em pesadelo, dando lugar aos mais horríveis monstros e criaturas. Embora de uma forma algo dispersa, Lovecraft estabelece algumas relações entre estas Dreamlands e o corpo central dos Mitos.

Lovecraft admite em uma dos seus trechos autobiográficos que foi atormentado por sonhos desde pequeno, e a sua mais famosa criação, Cthulhu, tem a capacidade de influenciar os sonhos dos humanos. Além disto temos ainda um ciclo inteiro de histórias dedicadas às suas terras de sonhos, as Dreamlands, sendo que, por vezes, o autor dá a entender que são referentes aos seus próprios sonhos. Outro fato estranho sobre a biografia de Love é que os pais de Lovecraft morreram ambos internados no mesmo sanatório, devido a uma espécie de loucura coletiva que parecia “ser transmissível” entre seus familiares .

Por fim, alguns atribuem a sua obsessão por raças alienígenas terríveis a uma acentuada xenofobia, defeito comum na época e local em que vivia. Tudo isto obviamente é discutível.

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