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sexta-feira, 23 de março de 2012

Meu mundo perfeito, destruído

Já apresentei as Horrible Troll Pastas, agora está na hora de apresentar a sua "irmã", Troll Pasta. Como introdução, deixo claro que elas não são como as Horrible Troll Pastas que apenas classificá-las como nonsenses já não é suficiente para defini-las. Mesmo assim, elas ainda podem não agradar alguns, pois no final geralmente podem "estragar o clima" de terror.

A intenção de uma Troll Pasta é chocar ou causar o efeito "mindfuck" no leitor. Elas se apresentam de várias maneiras e possuem vários tipos de andamentos diferentes: algumas introduzem uma história aparentemente normal e sem que o leitor se dê conta, a reviravolta da história choca ele.

Outro tipo de Troll Pasta é a que deixa implícito o que acontece com os personagens ou então deixam para o leitor a tarefa de encontrar o que há de errado na história.

Ao mesmo tempo que podem ser muito boas, podem ser muito ruins. De qualquer modo, vamos a um exemplo de Troll pasta: Meu mundo perfeito, destruído.

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DIA 0

Só se passaram algumas semanas desde que eu deixei a minha terra natal. Que bom que finalmente me livrei daquele lugar. Já se fazem anos desde que eu consegui o meu doutorado. Em minha terra natal, porem, não me deparei com nada, exceto decepções de meus colegas e meu governo. Usando toda a experiência que obtive durante todos esses anos estudando engenharia e robótica, eu secretamente construí minha própria nave. Demorou um tempo, mas finalmente terminei-a. Fui embora hoje de meu continente para uma ilha muito maior e inabitada, bem longe da minha nação.

Eu tive que apagar tudo aquilo que o meu corrupto e injusto governo chamavam de progresso. Afinal, este é o mesmo governo que foi o culpado pela morte de minha prima favorita há anos atrás, quando ela pegou uma doença terminal. Este foi o mesmo governo que prendeu o meu avô, nessa época trabalhando muito duro, tentando achar uma cura para a doença fatal dela. Eu sempre quis usar os meus dons para o bem da humanidade, mas mesmo assim eu descobrira, enquanto crescera, que a cultura de minha terra natal não me deixaria. Foi por isso mesmo que eu fui embora, bem longe para alguma ilha ainda não descoberta, numa tentativa de apagar toda a minha nação de minha mente. Espero poder criar uma ilha onde a corrupção e a tristeza não existam. Eu sei que isto pode não ser totalmente possível, mais eu preciso tentar.

Chegarei à minha nova terra pela manhã. Agora preciso descansar.

DIA 1

Eu fui adiante para explorar a ilha. Não há pessoas aqui, mas há uma miríade de fauna. Os animais pareciam ser versões anãs daqueles que se encontravam em minha terra natal. A maioria deles, mesmo aqueles que são considerados selvagens e territoriais, como os ursos e as morsas, têm se mostrado simpáticos e sociáveis para mim. Eu devo ter o cuidado de protegê-los e preservar um ambiente seguro para eles, enquanto construo o meu novo país. Coisas de tal natureza devem ser protegidas, afinal de contas.

Durante minha visita na ilha, eu me deparei com as ruínas de uma antiga e extinta cultura. Aparentemente, eles tinham habitavam a ilha antes, mas não havia nenhum vestígio de seu povo. No centro da estrutura, eu encontrei um grupo de relíquias sobre pedestais. Medo de perturbá-los, eu fiz um teste para determinar a sua composição, na esperança de que aquilo me daria algumas pistas sobre a cultura que morara ali anteriormente. As relíquias pareciam estar emitindo uma grande quantidade de energia. Uma máquina seria facilmente capaz de aproveitá-las como fonte de energia. Com medo de que, se eu fosse ou estivesse sendo seguido pelo meu governo elas cairiam em mãos erradas, eu removi todas as seis relíquias das ruínas. Ao fazer isso, eu acidentalmente reativei o sistema de segurança da estrutura arcaica: uma série de armadilhas que dependem de um fluxo de lava correndo debaixo da terra para ambas a fonte de energia e seu poder de fogo. Como eles queriam que elas estivessem bem protegidas, os nativos obviamente perceberam o poder guardado nessas relíquias.

Terei que desativá-lo mais tarde, depois que eu colocar tudo em ordem. Agora, para poder construir o meu país, devo manter esses animais seguros, assim como as relíquias também. Isso está se tornando mais problemática do que eu inicialmente imaginava, mas eu sinto que vou superar. Todo problema tem uma solução, afinal de contas. Amanhã, eu começarei a construção.

DIA 2

Comecei a construção hoje. A fim de manter os animais fora de perigo, tenho desenvolvido vários sistemas de proteção suspensas. O modelo inicial era uma estrutura de cápsula, que foi projetada para abrigar inúmeros animais de uma só vez, embora o número ainda seja limitado. Afinal, eu não queria que eles ficassem todos presos em um espaço muito apertado onde poderiam se ferir involuntariamente enquanto estivessem inconscientes. Depois de encher alguns modelos que eu ainda tinha, descobri que havia um grande excesso da população. Não querendo que eles fossem feridos pelos robôs que eu havia construído para ajudar com a construção, tive que criar um jeito de abrigar os animais em excesso. Então, eu criei cápsulas portáteis suspensas, e acrescentei-lhes o funcionamento interno de meus robôs trabalhadores. Assim, não haverá confusão e nem animais feridos na hora da construção.

Isso irá abrigá-los e mantê-los seguros. Os animais estarão completamente inconscientes o tempo todo, assim quando todos os problemas forem colocados em ordem, eles irão acordar como se tivessem simplesmente dormido a noite inteira. Mais um problema resolvido.

Já para as relíquias, eu coloquei-as em locais seguros espalhados pela ilha. Cada uma delas está escondida em uma estação de realidade virtual que eu programei como uma barreira. A física sobrenatural e a gravidade em mudança constante no programa tornariam impossível para que alguém roubasse as relíquias lá dentro. Já que eu sou o único que pode desativar os programas, eu também sou o único que pode chegar até eles. Eles estarão seguros, por enquanto. Agora eu posso seguir em frente com a construção de minha nação.

DIA 17

Eu estabeleci a minha base de operações no centro da ilha. Está meio incompleta no momento, mas no momento, o mais importante é configurar o resto da primeira ilha. Os robôs fizeram ir a construção seguir adiante muito mais rápido. Eu já criei uma cidade e uma estrada. Ao menos, minha capital já está terminada.

Deparei-me com uma série de ruínas soterradas e um lago subterrâneo ao construir ambos. Eu construí tudo sobre eles com todo o cuidado para não destruir toda a estrutura. Enviei vários dos meus robôs para dentro das ruínas para investigá-las. Com sorte, eles vão retornar com dados valiosos sobre os primeiros donos da ilha.

Eu tomei a decisão de preservar a costa da ilha do jeito que está. Foi muito difícil eu modificar toda essa beleza natural. Enviei alguns dos meus robôs lá para monitorar a área e manter a atenção à todos os visitantes. Afinal, eu não quero turistas ou funcionários do governo interferindo em meus planos.

Eu continuo me esquecendo de desativar as armadilhas nas ruínas que eu encontrei no meu primeiro dia aqui. Os dias continuam a passar cada vez mais rapidos, eu suponho. Terei que cuidar dele mais tarde.

DIA 18

Os robôs que eu enviei para costa da ilha me alertaram sobre um grave problema nas primeiras horas da manhã. As imagens enviadas por eles pareciam ser de algum tipo de besta. Era diferente de qualquer criatura que eu já havia encontrado. Estou certo de que os zoólogos no continente teriam declarado que aquilo era uma nova espécie de animal. Apesar da intriga inspirada pela criatura, os relatórios indicaram que ele estava atacando, e pior, destruindo meus robôs. Os animais alojados nas cápsulas de suspensão interna dos robôs provavelmente morreriam por causa do choque do processo de animação sendo interrompida inesperadamente. Eu tinha que fazer alguma coisa.

Eu deixei minha base e fui para minha nave, armado, mas não à procura de uma luta. Otimistamente, pensei que talvez este animal simplesmente tivesse se perdido no meio da ilha, e estava reagindo desta forma por medo. Eu esperava poder acalmar a criatura com a minha chegada, e colocá-lo em um gabinete para descansar como os outros animais. E como eu estava errado... Quando cheguei à costa, vi a criatura do alto, atacando a cápsula suspensa que eu havia feito para a área costeira. Desci com a minha nave, e chamei a criatura, em uma tentativa de argumentar com e/ou acalmá-lo.

À primeira vista, a criatura virou-se e pulou em direção ao meu veículo. Desviei do caminho e ativei as armas eu havia instalado, na esperança de dominá-la. Tal tentativa se provou fútil. Ele era muito rápido, tão rápido que eu não consegui dar nenhum golpe nele, e antes que eu percebesse, ele havia tirado e destruído as armas de minha nave. Eu não tinha escolha, a não ser recuar.

Eu voei de volta para a minha base em minha nave; preocupado com a destruição que esse monstro caótico poderia trazer para meu novo lar. Enquanto partia, eu me virei para trás, somente para ver a besta destruindo a capsula. Os animais que eu tinha protegido com segurança saíram convulsionando para fora dos destroços, caindo e mortos logo em seguida. Meu coração se despencou com aquela visão. Eu tenho que fazer alguma coisa para acabar com este monstro.

DIA 19

Os zangões robóticos que eu liberei seguiram a rota da criatura. Ela foi atravessando as ruínas acima do solo, desde meu último relatório. Pelo que eu posso dizer, o monstro está se dirigindo para a cidade que eu recentemente terminei de construir. A capital de meu novo país está inteira por somente três dias, e já está sob ameaça de ataque. Além do mais, ele parece ter encontrado e desativado o dispositivo de segurança no litoral e roubado a relíquia lá dentro. Além de feroz, parece que a criatura é inteligente também. Tolamente, eu havia colocado uma cápsula nos arredores das ruínas, pensando que era seguro. Senti que deveria ir e recuperá-lo antes que a criatura pudesse destruí-la e prejudicar os animais lá dentro.

Eu equipei minha nave com um lança-chamas, esperando que esta besta destrutiva não pudesse sobreviver ao fogo. Quando cheguei, mais uma vez, ele mostrou-se rápido demais para que eu conseguisse acertá-lo. Ele rapidamente arrancou o lança-chamas de minha nave, como uma faca na manteiga. Eu tive que fugir de novo. Eu temo que tenha que bloquear o seu progresso na cidade em si. Vamos só esperar que o meu plano funcione.

DIA 20

Toda a segurança que eu adicionei na cidade ainda assim não conseguiu manter a criatura longe. A maioria dos robôs que eu havia enviado para lá foram destruídos. Minha tentativa de atacar pessoalmente a criatura falhou novamente. Fugi, na esperança de encontrar outro lugar para a enfrentá-lo, e mais tarde recebi relatórios de que ele havia mergulhado nas ruínas subterrâneas e destruído todos os robôs eu tinha colocado lá em baixo.

Tentei construir uma barreira em uma parte do lago subterrâneo para inundar as ruínas e afogar o monstro. Eu pensei que poderia sufocá-lo desta maneira, mas minha tentativa falhou. Eu suspeito que a criatura possa ter aumentado a capacidade pulmonar, já que ele conseguiu escapar muito depois das ruínas serem completamente inundadas. Parecia determinado a destruir cada parte da tecnologia que eu instalei nessa ilha.

Menos de uma hora depois, ele estava atacando os robôs que eu havia deixado monitorando a estrada. Tentei derrotá-lo novamente, mas falhei. Nada que eu faça, nenhuma arma que eu use irá parar esta besta. Voltei para a minha base.

Todos os meus robôs de fora da base foram destruídos. A besta também conseguiu encontrar e desativar cada um de meus sistemas de proteção; agora ele também tem todas as relíquias em sua posse. Está planejando algo. Tudo o que sei é que ele me quer fora da jogada.

DIA 21

Eu não dormi. A criatura invadiu os portões da frente da base em pleno anoitecer. Cada robô e máquina em seu caminho foram brutalmente destruídos. Eu fiquei desesperado e abri um alçapão que havia construído em conjunto com as ruínas abaixo da base. Consegui derrubar o demônio para dentro dele e fechei-o, enquanto me escondia atrás de um campo de força.

Achei que finalmente estava seguro naquele momento, já que não parecia haver nenhum sinal de que ele retornaria do alçapão. Para esfriar minha cabeça, retornei para o meu laboratório para tentar trabalhar em uma prensa hidráulica de grande escala que eu vinha trabalhando já fazia tempo para me ajudar a fabricar os meus robôs. Foi então que a criatura saiu do chão e começou a atacar a máquina. Aparentemente, não havia mais como matá-lo.

Ele destruiu a maquina inteira antes mesmo que eu pudesse piscar. Eu fugi do laboratório e sai correndo pelo corredor para tentar chegar à escotilha de lançamento e pegar a nave com que eu havia voado para a ilha. Eu podia ver a besta em perseguição. Consegui pular para dentro da nave e decolar a tempo, voando para fora do penhasco com vista para toda a ilha abaixo. Eu pensei que estava seguro, mas então depois parecia que algo havia atingido a parte traseira da nave. As máquinas pegaram fogo e explodiram em chamas. Virei-me para dar uma ultima olhada na escotilha de lançamento, e vi a besta ali, sorrindo com uma satisfação grotesca de que havia assegurado a minha morte.

Enquanto eu caia diretamente nas rochas abaixo em um manto de chamas, eu assegurei-me de que iria sobreviver. Iria fazer deste mundo minha utopia, mesmo que isso me matasse. Foi então que, pela primeira vez na minha vida, eu senti desprezo por outro ser vivo. Esta besta, sem motivo algum, destruiu todo meu trabalho duro e arriscou a vida dessas criaturas inocentes. Aquilo com certeza haviam ganhado meu ódio profundo. Eu o odiava com toda certeza do mundo, tão certamente como o fato de que o meu nome é Dr. Ivo Robotnik; eu ODEIO aquele ouriço!

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